A História da Engenharia

A história da Engenharia confunde-se com a história da própria humanidade e teve início há cerca de sete milhões de anos. De acordo com estudos de paleontologia, os primeiros hominídeos eram carnívoros e, como não possuíam dentes ou garras afiados, necessitaram de alguma ajuda para superar esse problema. Isto os forçou à fabricação de ferramentas, que inicialmente eram pedaços toscos de pedras lascadas para ficarem com a ponta aguçada e se transformarem em objetos cortantes. Assim, há milhões de anos, teve início o desenvolvimento tecnológico.

Certamente o maior avanço tecnológico e cultural do homem primitivo foi a habilidade adquirida em lidar com o fogo, ocorrida por volta de 600.000 anos atrás, possivelmente a partir de algum incêndio causado por raios ou erupção vulcânica. O fogo significou calor e luz, possibilitando vencer o frio e a escuridão, e portanto, abriu caminho para o homem primitivo sobreviver em regiões mais frias, ampliando a ocupação espacial da terra, além de cozer os alimentos, tornando-os mais palatáveis.

Somente a partir de 50.000 anos os seres humanos começaram a produzir artefatos de caça mais elaborados, como os arpões, as lanças, e posteriormente o arco e a flecha. Este meio mais eficiente de matar a uma distância segura, permitiu a caçada de animais perigosos e de grande porte, capazes de fornecer alimentos para grupos mais numerosos.

O surgimento da agricultura, que se deu provavelmente no ano 10.000 a.C., assim como o domínio do fogo ou o advento da fala, foram os acontecimentos mais marcantes da história da evolução humana. Após a agricultura, veio a domesticação de animais, explorados de diversas maneiras, como por exemplo, a ordenha para aproveitamento de leite, a coleta de ovos, a tração animal, além de criar o estoque alimentar de reserva. Assim, não havia mais necessidade de mudanças frequentes do local de residência para obtenção de alimentos. Nesse momento o homem passou a sedentário, e há aproximadamente 8 mil anos um ser humano não caçador não coletor, foi responsável pela origem das comunidades grandes e suficientemente permanentes para desenvolver uma arquitetura de tijolos e pedras. Nesse momento certamente nascia o primeiro engenheiro. Os restos de alguns destes vilarejos construídos de tijolos chegaram até nossos dias. O mais desenvolvido é o de Tell es-Sultan (Jericó), no oriente próximo.

Outra mudança significativa que perpassa a era da civilização, foi a descoberta do uso do metal. A longo prazo, o metal mudou o mundo quase tanto quanto a agricultura. Entre 7.000 e 6.000 a.C. o cobre, o primeiro metal a ser aproveitado, foi aplicado inicialmente na elaboração de objetos para ornamentos, mas logo foi utilizado para fabricação de armas e ferramentas. O ferro passou a ser explorado no oriente próximo por volta de 1.500 a.C. e só foi amplamente divulgado depois do ano 1.000 a.C.

As primeiras civilizações propriamente ditas que se tem conhecimento surgiram entre os anos 3.500 e 500 a.C., e a primeira delas é a Suméria, no sul da Mesopotâmia. As maiores contribuições tecnológicas legadas por ela foram a prática da irrigação e a construção e o desenvolvimento do sistema de governo. Pouco depois, sinais de civilização podem ser vistos também no Egito e datam de aproximadamente 3.000 anos a.C.. Sabe-se que os egípcios primitivos dominavam várias técnicas dentre as quais, as de construção de barcos de junco, de trabalhar pedra dura, de moldar o cobre, além de dominarem técnicas de irrigação. Praticavam também a criação do gado para tração e criavam aves. Construíram obras públicas em pedra, insuperáveis para a época, das quais as mais famosas são as pirâmides e o primeiro arquiteto conhecido foi Imhotep, chanceler real.

Com o surgimento da escrita foi possível a armazenar e transmitir conhecimentos e experiências com mais facilidade e precisão, de uma geração a outra. A cultura e a tecnologia acumuladas gradualmente se tornaram mais efetivas como instrumentos para mudar o mundo. Ficaram então mais fáceis, o domínio das complexas técnicas de irrigar as terras, de fazer as colheitas e armazená-las e assim melhorar a eficiência na exploração dos recursos naturais.

Os gregos com seus conhecimentos de matemática, deram grande contribuição para o progresso da humanidade e o filósofo Pitágoras (Século VI a.C.), foi uma das primeiras pessoas a argumentar e forma dedutiva, ou seja, aplicando argumentos puramente lógicos a princípios e axiomas. Foi na Alexandria egípcia que viveu Euclides, o homem que sistematizou a geometria e deu-lhe a forma que perdurou até o século XIX. Esta base matemática foi fundamental para o desenvolvimento dos cálculos, amplamente utilizados na engenharia.

O império romano chegou a dominar todo o mundo mediterrâneo por volta de 50 a.C., e para tornar as cidades conquistadas mais confortáveis, os romanos construíram estradas, arenas de jogos, casas de banho, esgotos, aquedutos e cisternas de água potável. Os arquitetos foram os primeiros a se livrarem da necessidade de se apoiar grandes vãos de telhados em fileiras de pilares, inventando o teto em forma de abóbada.

Durante a idade média, considerada a idade das trevas, o conhecimento ficou restrito ao círculo da Igreja e apresentou pequenos progressos. Neste período, as maiores contribuições foram nas áreas do aprimoramento da tração animal. Outro avanço ocorreu na construção civil, pois nesse período foram edificadas surpreendentes obras, que exigiram alta habilidade tanto de engenharia quanto de escultura em pedra, vistas até hoje nas igrejas paroquiais das ricas regiões italianas e inglesas. Ao mesmo tempo, o artesanato ganhou notoriedade e com isso, aumentou o número de artesãos cuja crescente importância pode ser vista no surgimento de regiões de manufatura especializadas. As mais notórias e ricas se especializaram na fabricação de artigos têxteis. A joalheria foi prestigiada e pela primeira vez uma união entre os joalheiros e artesãos, que ocorreu em Florença na Itália, estabeleceu alguns critérios de padronização.

Este núcleo de padronização, que posteriormente foi também aplicado aos construtores e artesãos da nobreza é o inicio do que viria a ser os Conselhos Profissionais. Este aglomerado florentino de construtores e artesãos era conhecido como Guildas e significava ordem ou clã e estabeleceu critérios básicos de estética e segurança nas construções. Foi a partir deles que em 1406 em Florença na Itália, surgiram as primeiras escolas e universidades de arquitetura e os primeiros arquitetos não práticos.

Os avanços científicos dos séculos XVI e XVII significaram uma revolução no pensamento, e os homens procuraram cada vez mais descobrir modos de manipular e explorar a natureza. A Revolução Industrial -–transição da economia agrária para a industrialização -–marcou o início d de um novo período da história mundial. A economia baseada na produção industrial foi a alteração mais importante na história da humanidade desde o advento da própria agricultura, ou até mesmo da descoberta do fogo. No século XIX as máquinas começaram a substituir o trabalho braçal e os resultados puderam ser vistos em diversos seguimentos da economia. O vapor passou a ser utilizado para movimentar máquinas e puxar arados. Carros, bondes e bicicletas podiam ser vistos nas ruas das principais cidades, e nas fábricas, via-se os teares, os tornos e as furadeiras; nos escritórios e lojas apareciam caixas registradoras e máquinas de escrever. O adventos das máquinas reforçou a preocupação com a maneira pela qual o trabalho era organizado e como eram moldadas as atividades. Surgiu então um conjunto de novas profissões. O termo “Engenheiro”, teve seu significado ampliado, aparecendo diversas especializações, como em construção, em mecânica, em eletricidade, em embarcações, em produtos químicos, etc.

Instituições de educação técnica surgiram em muitos países para dar instrução avançada em engenharia. Algumas universidades começaram a ensinar estas matérias. Os engenheiros se consideravam como tendo uma profissão e em geral, se organizavam em associações profissionais que cuidavam dos seus interesses. Foram os primeiros egressos de cursos superiores a aglutinarem em associações classistas. A primeira associação formal de profissionais egressos de Universidades que se tem notícia é o Instituto dos Engenheiros de Londres, fundado em 1840.

No Brasil, as atividades de profissionais especializados teve início no próprio descobrimento, ocasião em que foram utilizados conhecimentos de engenharia naval, de astronomia, de matemática, de cartografia, de medicina, dentre outros, para conduzir a frota de Cabral até nossas praias. Em seguida, com o advento da descoberta de minerais como o ouro, as atividades relacionadas com a geologia e a engenharia de minas foram intensificadas.

Com a vinda da família imperial para o Brasil em 1808, o conhecimento foi incrementado pela existência de diversos tipos de profissionais na comitiva. Logo em seguida foram criadas as primeiras escolas técnicas na colônia.

Até por volta de 1900, o exercício profissional era livre no país, mas a partir dessa data, o governo se viu pressionado a elaborar legislações que visavam exercer controle sobre determinadas atividades profissionais, tentando limitar o exercício ilegal de algumas profissões.

Assim, a primeira profissão a ser regulamentada foi a de Engenheiro Agrimensor. Em 1933 regulamentou-se as profissões de Engenheiro Agrônomo e Engenheiro Civil. Nesse ano foi também criado o Sistema CONFEA/CREA’S.



Deixe o seu comentário.

Artigo anterior:

Próximo Artigo:

A História da Engenharia e Muito Mais


Parceiros - Ferramentas Gerais - L-Carnitina - Engenharia Brasil - Frases Curtas - Piadas Rápidas